Quando chegou a casa, encontrou a porta aberta, tudo antevia que ele estaria do lado de dentro. Trazia consigo uma mala pesadíssima e um cheiro de cansaço acumulado pelo corpo. Não o procurou. Nessa noite sonhou.
Ela: Ainda há instantes, procurei-te pela cidade, fui encontrar-te na minha pele.
Ele: E se esperasses por mim?
Ela: A cidade é pequena para nós. O tempo é muito lento, demasiado lento. É insuportável o tempo.
Ele: O amor excede todos os tempos.
Ela: O meu tempo é esta mala que trago comigo, no seu interior estive excessivamente apaixonada pela violência dos meus sentimentos, hipnotizada pelos meus vícios, prisioneira pela ideia do amor, e nunca pelo que de facto tive. A ideia do amor, essa não excede tempos, sacia momentaneamente vontades.
Ele: quem esteve naquela cidade, nenhuma outra lhe parecerá tão bela. Não te consigo dizer coisas bonitas.
Ela: Quando começares a tua viagem, todas as outras cidades se assemelharão a ela, abrem-se as vias para a delicadeza.
A relva fresca, as nossas sombras por ali deitadas, a olhar o céu e a sua escuridão alta.
Ele: qual é o tempo de vida de uma estrela?
Ela: o tempo que demora a perder a sua luminosidade.
meu amor o tempo somos nós.
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