Uma colher de coisas.
Deixaste – te crescer na facilidade angelical, como jamais previsses os danos colaterais do sonho, daí a fatalidade da tua resistência agora. Presumiste, inocentemente, que tudo o que pudesses conceber em palavras escritas ou ditas, pudesse ser imediatamente ultrapassado. E a verdade é que no caminho entre as cidades e ilhas corre um rio que nos empurra, somos atraídos pela ideia de que livres, podemos decidir. Foi a renúncia à miragem da felicidade que te fez uma combatente aguerrida, mas triste. No entanto, o impulso de conservares em ti a possibilidade de seres muito, torna-te menina sozinha, nos momentos em que com alguém, és meramente acompanhada. A noção de necessidade tornou-te mais frágil e com ela a consciência de que és prisioneira dos pequenos mitos encerrados no depósito das tuas experiências, das recordações. E depois é vê-las deambular sem ordem, no seguimento dos teus dias. Manifestas a vontade de te regenerares, embora todas as outras instâncias influenciem o decurso. Digamos que confessar os teus sonhos, não é realizá-los. Reconhecer as tuas estruturas não é compreendê-las. Só nos permite saber o quão limitados nós somos.
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