segunda-feira

A Propósito do gomo e da perda


Há momentos que explodem, dizia ela, enquanto descascava uma voluptuosa laranja. Nesse acto, continuava, há qualquer coisa de subtil que se perde quando todo o resto se esmaga. Há na perda de alguém, qualquer coisa que parece assemelhar-se a essa explosão. É por isso que a essência da perda não está no sumo do gomo, mas na explosão, no momento em que qualquer coisa se perde quando todo o resto se mortifica… depois… depois é desconhecer-se onde se está… se na esperança mole de novamente ter…se na louca vontade de desistir. Quando perdemos, não perdemos pessoas, perdemos lugares comuns, perdemos sensações comuns, partilhas comuns, risos comuns, páginas comuns, perdemos parte da música, parte da casa, da janela, do vento, das palavras, perdemos não parte de nós, mas parte do mundo. Era uma bela laranja, dizia ela.

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